A Princesinha do Café
Localizada a pouco mais de 100 km do Rio de Janeiro, Vassouras carrega com orgulho o título de “Cidade dos Barões”. Foi aqui que, no século XIX, floresceu a mais rica aristocracia cafeeira do país — homens e mulheres que falavam francês pelas ruas, importavam móveis da Europa e ergueram verdadeiros palácios rurais em meio às serras fluminenses. O nome da cidade vem de um arbusto nativo, a vassourinha, que cobria os campos antes de cederem espaço às lavouras de café.
No auge do ciclo cafeeiro, Vassouras era a maior produtora de café do mundo. Casarões, palacetes, hotéis e até um teatro foram construídos com o dinheiro dos grãos. Após a Corte Imperial, era o município com maior circulação de nobres no Brasil. Esse esplendor pode ser sentido ainda hoje ao caminhar pela Praça Barão de Campo Belo, rodeada de palmeiras imperiais e dominada pelo imponente Chafariz Monumental de 1846.
O patrimônio histórico de Vassouras é vasto e bem preservado. O Museu Casa da Hera, que pertenceu à família de Eufrásia Teixeira Leite — uma mulher extraordinariamente independente para sua época —, o Palacete Barão de Itambé, tombado pelo IPHAN, e o Memorial Manoel Congo, homenagem ao líder da revolta escrava de 1838, compõem um roteiro que é ao mesmo tempo beleza e reflexão. O Mirante do Imperador oferece uma vista privilegiada sobre o centro histórico que, visto de cima, parece parado no tempo.
Luiz Gonzaga imortalizou a cidade em verso: “Vassouras, Vassouras, velha cidade dos tempos coloniais. Vassouras, Vassouras, o tempo passa e cada vez te quero mais.” Quem visita entende por quê.
Principais atrativos: Praça Barão de Campo Belo e Chafariz Monumental; Museu Casa da Hera; Palacete Barão de Itambé (IPHAN); Memorial Manoel Congo; Fazendas históricas abertas à visitação; Mirante do Imperador
Curiosidade: Vassouras chegou a ter mais nobres titulados do que qualquer outra cidade do Brasil fora da Corte — eram tantos barões, viscondes e condes que o município ficou conhecido como a “Cidade dos Barões”.