A Terra dos Nobres do Café
Antigo território dos índios Coroados, Valença recebeu seu nome em homenagem ao Vice-Rei de Portugal, Dom Fernando José, descendente dos nobres da cidade portuguesa de Valença. No século XIX, a cidade viveu um período de esplendor sem igual: sua nobreza cafeeira era tão culta que, em 1869, o pianista polonês Gottschalk se apresentou no Teatro Glória para uma plateia refinada e apreciadora das belas artes. Valença chegou a ter quase 30.000 escravos — o segundo maior contingente do estado, atrás apenas de Campos.
O dinheiro do café financiou ruas calçadas, serviço de abastecimento de água, a Santa Casa da Misericórdia e jardins projetados pelo renomado paisagista francês François Marie Glaziou. O Jardim de Baixo (Praça XV de Novembro) e o Jardim de Cima (Praça Visconde do Rio Preto), inaugurados em 1884, são testemunhos desse refinamento e estão tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural. A Catedral de Nossa Senhora da Glória, cuja construção levou quase cem anos para ser concluída, domina o alto de uma ladeira com sua imponência neoclássica.
Para além da história, Valença oferece natureza exuberante no Parque Estadual da Serra da Concórdia, com seus 804 hectares de Mata Atlântica, e cachoeiras escondidas nos distritos de Pentagna e Barão de Juparanã. E há ainda Conservatória — o encantador distrito que ganhou fama como “Capital da Seresta”, onde as janelas se abrem nos fins de semana para o som de violões e vozes que cantam a tradição da música popular brasileira.
Principais atrativos: Praça Visconde do Rio Preto (Jardim de Cima); Catedral de Nossa Senhora da Glória; Museu de Arte Sacra; Parque Estadual da Serra da Concórdia; Distrito de Conservatória (Capital da Seresta); Fazendas históricas
Curiosidade: O distrito de Conservatória é famoso por avistamentos de OVNIs na Serra da Beleza — o que, somado às serenatas de fim de semana, torna o lugar ainda mais misterioso e irresistível.