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Em agosto nos vemos, mas nos outros meses também…

José Luiz Junior (Junior da Cultura)
José Luiz Junior (Junior da Cultura) Cultura e Turismo

 

Meus amigos mais próximos e familiares sabem do meu apreço pelo escritor colombiano  Gabriel Garcia Márquez, o Gabo, vencedor do prêmio Nobel de literatura em 1982, ano em que nasci. Claro que não gosto dele pelo Nobel, existe um monte de vencedores enfadonhos e muito menos pela obra fundamental que lhe garantiu o prêmio, que é “Cem anos de solidão”, embora seu Nobel tenha sido pelo conjunto da obra, com foco neste livro específico.. Sou extremamente aficionado por leitura, em qualquer mídia, mas nunca deixei os livros de lado, mesmo com toda a tecnologia, novos dispositivos e experiências atuais. Leio no celular, no computador (não tenho Kindle), nas revistas impressas, digitais e onde mais tiver letras, frases, notícias, histórias e estórias. Mas não sei explicar minha predileção, logo eu, um nacionalista, por Gabriel Garcia Márquez. Em Terra Brasilis, não abro mão do Machado (o de Assis), mas no geral, entre todos, o preferido mesmo é o Gabo.

Não tenho a pretensão e nem o preparo, por maior que seja o meu apreço por uma avaliação precisa da obra dele, embora conheça muitos detalhes de vários livros – alguns lidos mais de duas ou três vezes – e ainda não tenha lido a obra completa, são mais de 30, mas ainda dá tempo. Acho que estou na faixa dos 14 ainda, desde os 17 anos. Nem a metade. Mas essa paixão não vai mudar, pelo contrário, só tende a aumentar. Ah! E esses números se referem apenas aos livros, editados e publicados, as crônicas e contos são dezenas também lidos. Por isso dá pra cravar a predileção.

Mas, a mais estranha está sendo a última experiência. Resolvi ler o último livro de Gabo, aquele que ele não terminou por completo em vida, mas deixou praticamente pronto e os filhos Rodrigo e Gonzalo Garcia Barcha resolveram publicar. Confesso que ainda estou na quinta página, mas chorei ao ler o prefácio escrito pelos filhos e já contei quase chorando sobre esse prefácio para algumas pessoas. Quem não conhece Gabo, seus livros, ou não me conhece, não compreende muito bem minha emoção, mesmo os mais próximos, mas antes mesmo de terminá-lo, já entrou no top 3 dos que já li de Gabriel Garcia Márquez. Eu explico.

Quando cheguei a conclusão mencionada acima e antes de colocar “Em Agosto nos vemos” no panteão dos meus preferidos de Gabo, houve certa confusão entre nostalgia, a certeza de que Gabo não produziria nunca mais um livro novo e a mistura de concisão, sensibilidade e sensibilidade que senti ao ler o prefácio escrito por Rodrigo e Gonzalo para a primeira edição desta última publicação inédita de Gabriel Garcia Márquez. Mas a experiência da primeira leitura do prefácio se repetiu nas repetições seguintes – fiz questão de ler umas 10 vezes – e nos relatos que fiz aos mais chegados, assim como a vontade de chorar, dar um abraço apertado e agradecer Gabo por ter existido próximo da mesma encarnação que eu.

Rodrigo e Gonzalo embora não tenham se tornado escritores, não são filhos de Gabriel Garcia Márquez à toa. Em apenas 4 parágrafos conseguiram resumir o drama dos últimos dias do escritor, ressaltar sua genialidade e perceber que mesmo a sua fragilidade naquele momento, e nas peças que a memória estava lhe pregando residiam seu senso de criatividade e criação. Não vou dar nenhum spoiler sobre o prefácio. Que ouçam meu relato ou que leiam por si mesmos. Mas vou dizer que é um dos prefácios mais lindos que já li na vida e que ao invés de demonstrar um Gabo fraco e desmemoriado, demonstrou que o autor, mesmo aparentando grande estresse e frustração nesta criação específica e determinando que o livro fosse queimado foi “fielmente traído” pelos filhos. As mesmas dificuldades que lhe impediam de manter o processo criativo anterior, lhe privaram de perceber a grandeza do que estava escrevendo.A traição dos filhos de não queimar o livro valeu a pena. E de publicar, mais ainda! Nos contemplou com sua última obra prima. “Em agosto nos vemos”, mas em todos os outros meses também. Obrigado Gabo!

 

José Luiz Júnior  (Júnior da Cultura)