Pequena em Tamanho, Grande no Ar
Mendes começou como um simples rancho de pouso para tropas às margens do “Caminho
Novo do Tinguá”, em um atalho que ligava Valença ao Rio de Janeiro. O pequeno aglomerado,
de temperatura agradável e solo fértil, foi crescendo lentamente graças à circulação de
tropeiros. Em 1847, o Arraial dos Mendes já tinha nome próprio, e em 1864 a Estrada de Ferro
D. Pedro II chegou para selar o destino da cidade como ponto de escoamento do café regional.
Mendes é o menor município do Rio de Janeiro — mas sua grandiosidade está no ar,
literalmente. Na década de 1950, a Unesco classificou a cidade como o quarto melhor clima do
mundo. Esse título é motivo de orgulho para seus moradores e de curiosidade para os
visitantes, que chegam e logo entendem o porquê: o ar é limpo, a temperatura é amena e a
sensação de bem-estar é imediata. Um jequitibá milenar de 23 metros de altura e
aproximadamente 1.300 anos de vida, escondido em um sítio particular, comprova com sua
longevidade a qualidade excepcional do ambiente.
O patrimônio ferroviário de Mendes é outro capítulo fascinante. O Túnel 12, construído entre
1858 e 1865 com 2.233 metros de extensão, foi considerado o maior túnel ferroviário do mundo
em sua época. Um segundo túnel, o 12 Bis, ainda maior, foi construído em 1914. As estações
ferroviárias Humberto Antunes e Neri Ferreira, esta última construída em pinho de riga, são
cartões-postais que evocam a fase próspera da cidade.
Principais atrativos: Clima classificado pela Unesco (4º melhor do mundo); Túnel 12 e 12 Bis
(maior túnel ferroviário do mundo em sua época); Estação Ferroviária Neri Ferreira; Igreja
Matriz de Santa Cruz; Jequitibá Milenar; Mirante Boa Esperança
Curiosidade: O Túnel 12, construído para escoar o café da região, foi por décadas o maior
túnel ferroviário do mundo — uma obra monumental escavada no coração da Serra Fluminense
com mão de obra escrava e técnica inglesa.