Onde a Revolta dos Escravos Começou
O nome carrega história em cada sílaba: “pati”, do tupi, designa a palmeira abundante nas
margens do Caminho Novo; “alferes”, o posto militar dos primeiros ocupantes da região. Antes
do café, Paty do Alferes produzia cana-de-açúcar. Mas foi o café, com seu clima propício e
terras férteis nunca antes cultivadas, que transformou o município em um dos mais prósperos
do Vale do Paraíba no século XIX. Uma aristocracia rural floresceu — o Visconde de Ubá, o
Barão de Capivari, o Barão de Guaribu — intimamente ligada à Corte Imperial.
Mas foi também aqui que a história registrou um dos episódios mais dramáticos do período
escravocrata: em 1838, na Aldeia de Arcozelo, Manoel Congo liderou uma fuga em massa de
escravos que tentaram formar um quilombo. A revolta foi duramente reprimida, e Manoel Congo
foi executado em 1839. Hoje, o mesmo local onde tudo começou é um complexo cultural
vibrante: a Aldeia de Arcozelo, transformada pelo embaixador Paschoal Carlos Magno em
centro permanente de realizações artísticas, com anfiteatro, teatro, salas de exposição e
biblioteca.
Seguindo sua vocação agrícola, Paty do Alferes reinventou-se após o declínio do café e hoje é
o maior produtor de tomate do estado do Rio de Janeiro e o terceiro do Brasil. O Museu da
Cachaça, o Caminho do Imperador e as cachoeiras que pontuam o território completam um
roteiro que une história, natureza e sabor.
Principais atrativos: Aldeia de Arcozelo (complexo cultural); Igreja Matriz Nossa Senhora da
Conceição; Museu da Cachaça; Caminho do Imperador; Cachoeira Boa Esperança; Fazendas
históricas, Parque Fazenda Monte Alegre, turismo rural.
Curiosidade: Paty do Alferes é o maior produtor de tomate do estado do Rio de Janeiro e o
terceiro do Brasil — uma reconversão agrícola notável para uma cidade que um dia foi símbolo
da riqueza cafeeira.